Saturday, March 17, 2001

Invocação

Hora vaga, mente vaga,
Vagabunda, não produz
Vaga lua, vaga idéia
Nem vago travo de luz

Vago vaga pela rua
Sem alcool, sexo nem pão,
Vaga-lume, vago lume:
Mais vago é meu coração.

Vago som, vaga poesia,
Vagarosa, me conduz
À vulva viga do mundo:
Vespeiro dos homens nus.

Vem, amor, com violência,
Venda meus olhos, e então
Verte o vago dos meus versos
Em vagas de desrazão!

Patrícia Clemente - 1998

Angelo
O seu corpo é um só,
Mas já me é o bastante,
não tem dó, vem a mim,
transforma uma hora
em um instante,
depois vai embora,
mora longe,
e a sensação
não tem fim,
há sempre
um pedaço seu
dentro de mim.

Renata Saladino 17/03/01
Dedicatória
A todos que saíram das suas casas,
Se deram asas procurando um novo rumo,
Aos que deixaram de seguir modelos,
Foram sinceros, mesmo que soasse estranho,
Aos que rasgaram sua hipocrisia,
É para esses que me exponho as feridas.

Que recusaram ser iguais, que perceberam
Nos sentimentos dos normais pura maldade,
Que se recusaram ser mortais, sobreviveram
Ou se entocaram pra lamber suas chagas,
Que, enfim, souberam, mesmo que sozinhos,
Seguir o caminho na vereda do seus sonhos,
Aos obsedados, como eu, escrevo:
Aos outros eu reservo o meu desprezo.

Patrícia Clemente - 1998